sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Lecionar História: o desafio cotidiano



A maior dificuldade sob a luz da experiência cotidiana é fazer “fazer sentido” estudar História.

Como despertar a curiosidade, o interesse e a vontade de conhecer aquilo que “já passou faz tempo”?

Como aproximar sem distorcer ou cair no presentismo?

Como criar pontes entre o “lá” e o “agora” sem perder a paisagem simbólica de determinado contexto histórico?

Como não esmagar o passado com as toneladas das demandas do hoje?

Sabemos que não há receitas ou métodos imbatíveis para essas questões.
Faz parte do nosso desafio diário. Perdemos as vezes. Ganhamos as vezes.

Pois sendo a Historia uma disciplina importantíssima na formação do aluno, “para que desenvolvam a compreensão de si mesmos, dos outros e das sociedades no tempo - no presente e no passado”.
O que ensinar em historia? Temos o curriculo somado as nossas escolhas.

O desafio começa a partir “das escolhas dos conteúdos e da abordagem”. É na abordagem, ou no “jeito de” comunicar, interrogar, problematizar aquele tema, que começamos a criar pontes possíveis prenhes de sentidos aos nossos conteúdos.

Conseguir êxito dos objetivos traçados é conseguir comunicar (usando todos os recursos que temos disponíveis hoje) e tornar crível a nossa disciplina.
Assentar que: é passado, porém é vivo, em nossas interrogações.
Renasce cada vez que o abordamos em sala.
Não é biologia, mas também é a “ciência” da vida e não da morte.
Ou talvez das várias mortes e de um monte de renascimentos.
Com todos os trocadilhos possíveis.

Assim, o desafio é conseguir que - entre o pó do passado e a urgência do presente - surjam as cores da curiosidade, pois é ela - sempre ela - que conduz nossos alunos no caminho do conhecer.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O menino que viu a luz entrar



Uma de minhas primeiras lembranças da História está vinculada a TV, música, rádio e ao contexto do Regime Militar, que aos 10, 11 anos obviamente não tinha consciência alguma.
Era 1982. Morre Elis Regina. Não fazia ideia de quem era, pois em minha casa  tínhamos muito pouco acesso ou estimulo a consumir cultura, música ou informação em geral. Sou de uma família operária (adoro o termo, Marx explica, talvez.) e meus pais trabalhavam e viviam, viviam e trabalhavam para que nós (eu e minhas irmãs) tivéssemos o básico.
Voltando a Elis: a notícia inundou todas as mídias, em especial as que tínhamos acesso: TV e rádio. E foi um tal de tocarem sem parar diversas músicas, entre elas uma em especial: “O bêbado e o equilibrista”. Começaram a desvendar a letra, que pra mim eram fragmentos de um mistério intrigante: “rabo de foguete, chora Clarisses, volta do irmão do Henfil” (sim, já sabia quem era: um sujeito que fazia algumas coisas engraçadas no TV mulher, programa passava pela manhã na tv).
Descobri que aquela letra tinha uma mensagem cifrada. Fiquei entusiasmado. Mas ainda não sabia o significado. Do que estavam falando?
Durante o velório (transmitido na tv) veio outra dica: houve um debate acalorado sobre permitir (ou proibir) o corpo da cantora ser velado com uma camiseta que lembrava (ou era) a bandeira estilizada do país. Lembro que fiquei intrigado: “quem” não deixava? qual seria o problema? o que havia de errado com o Brasil? qual era o medo?
Ao longo da década de 80 mais informações começaram a chegar, de forma solta, estilhaçada, esparsa, que fui maturando em minha cabeça ao longo da adolescência:
Gilberto Gil lamentava sobre os “amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais”. E tempos depois começaram a chegar pessoas muito esperadas no aeroporto do RJ. Gabeira voltara (quem era ele? Voltara donde? Porque partira?). Comícios das Diretas. Figueiredo com sua farda, chicote e cavalos. Bombas no Riocentro. A inflação era um monstro divulgado em forma de números todos os dias na TV. E Tancredo, um velhinho com uma cara boa capturava a esperança de milhões. E vem mais música: o Rock’n’Rio.
Ei, calma lá: ali naquele palco e também na plateia, assisti (pela tv) a bandeira nacional novamente e por diversas vezes sendo exibida, empunhada, abraçada. Não se falava mais em proibir. Em 1985 o Brasil já não era mais proibido. De se ver, se exibir, se vestir, enfim, de se abraçar.
Esses fragmentos de memória foram sendo encaixados quando cheguei ao ensino médio. A professora de Geografia, Edwiges, começou a falar de uns tempos atrás, “onde não se podia falar e nem mesmo ler” sobre alguns assuntos. Comentou de pessoas que “sumiram”. Perguntei em casa. Minha mãe falou sobre “gente do sindicato” que também “sumiram” e avisou que “não era bom falar disso”.
Depois veio o Leal, professor de Literatura (e, dá-lhe mais música!): agora já sabia o significado de “Cálice” de Chico Buarque, das letras do Vandré, entre outros.
Depois veio a professora de Filosofia. Falava de liberdade, trabalho, dignidade e de um tal de Marx que pensara sobre tudo isso. E tinha outros que pensavam sobre outras coisas: Sartre, Platão, Foucault (sim, todos esses caras numa escola pública do ensino médio. Obrigado Virgínia!)
Enfim, chegou Nazaré, a professora de História, que com o olhar abrangente e contextualizador - que somente a História oferece - nos vez entender que havíamos acabado de sair de um período negro da história da nação. Éramos a geração que viu a abertura chegar, mas não entendíamos onde estávamos antes dela e nem o que seria depois. Havia apenas as cores e cheiro da esperança no ar.
Nesse momento descobri uma das possibilidades da História: de reconhecimento do presente. A História não era apenas aquele passeio assustador ou nostálgico pelas catacumbas da humanidade! Ia além: podia esclarecer, explicar, aplacar as dúvidas do presente. Estava viva. Era a “grande esclarecedora”, aquela que entende dos fios, mas também da trama como um todo. Claro, fiquei seduzido por tal “ciência”.
Tudo isso ocorreu durante o ensino médio em uma escola pública no subúrbio do estado do Rio de Janeiro. A mesma escola que apesar dos problemas e dificuldades – reais ou inventadas – e seu grupo de professores dedicados me preparou, nos mais diversos sentidos.
Preparou-me inclusive para romper com um certo determinismo “de classe social”, isso é, me deu base para passar num vestibular de uma Universidade Pública. Coisa que em geral, apenas os alunos de escolas “fortes” particulares tinham acesso.
Eram outros tempos, onde a escola era muito mais do que produtora de dados numéricos para exposição nacional e internacional visando se adequar aos Pisa’s da vida em troca de valiosos prestígios-empréstimos-financiamentos seja lá do que for. Que seja perdoado meu suspiro nostálgico: tínhamos qualidade e não sabíamos!
Mas voltando ao fim da história (ou novo inicio): vocês acham que tive dúvidas na hora do vestibular?
Não, já havia feito a escolha anos antes. É História, sem dúvida alguma.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tempo

Sobre o tempo - Pato Fu
Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio


Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã


Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai


Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final


Ah-ah-ah ah-ah
Ah-ah-ah ah-ah


Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã


Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai


Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final... oh-oh... oh-oh ah...


Uh... uh... ah au
Uh... uh... ah au
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo

Tempo Rei - Gilberto Gil


Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos...


Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento...
Água mole
Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento...


Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...


Pensamento!
Mesmo o fundamento
Singular do ser humano
De um momento, para o outro
Poderá não mais fundar
Nem gregos, nem baianos...


Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas
De repente ficam sujas...
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo
Pode estar por um segundo...


Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...(2x)

quinta-feira, 1 de março de 2012

11 de Setembro de 2001

Galera da 7b que pediu mais informações sobre o maior - e mais simbólico - atentado terrorista da História, segue uma reportagem bacana. Em sala comentamos mais sobre o assunto.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Conflitos Religiosos

Galera das turmas de História das Religiões, como debatemos e comentamos durante nossas aulas, segue um vídeo que exemplifica a questão dos atuais conflitos no mundo onde existe um fundo político e também religioso. Assistam o vídeo a seguir que aborda o conflito que dura décadas e divide a Irlanda e seus cidadões. Para ver e refletir sobre os conceitos de tolerância e coexistência. Ok?

Fontes Históricas: o Audiovisual

Galera, segue um belíssimo exemplo do uso da fonte audiovisual para o conhecimento/experiência do passado. O filme chama-se "Nós que aqui estamos por vós esperamos", nele são utilizados trechos de filmes das primeiras décadas do século XX para compor uma teia de memórias/experiência do passado. O resultado é fantástico e a trilha sonora é genial. Aproveitem!!!!!